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domingo, 27 de dezembro de 2015

Comportamentos Inseguros: Os riscos do improviso!


    Na vida fazemos muitos improvisos. Quando não há chave de fenda usamos uma faca para apertar um parafuso. Usamos bancos em cima de outros móveis para alcançar uma lâmpada a ser trocada. Colamos fitas isolantes em um fio elétrico desencapado. Batemos um prego com um martelo sem o cabo. Além de outros improvisos. O mau do improviso é que, geralmente, ele acaba sendo permanente e logo esquecido. Por exemplo: se vemos um fio elétrico desencapado, o improvisamos colando fita isolante com o objetivo de ser provisório. O ideal seria substituir o fio elétrico já que a fita isolante, com certo tempo, perderá a sua aderência e deixará o fio exposto novamente. Mas quando improvisamos, achamos que não haverá riscos. Acabamos esquecendo-o e o improviso acaba sendo permanente. O mesmo acontece com a falta de um martelo. Batemos um prego com um alicate, sapato social, pedra ou um martelo sem o cabo. Achamos que não precisamos comprar o martelo porque acreditamos que não iremos usar-lo novamente. E sabe quando compramos um martelo? Quando nos acidentamos. Se não compramos um martelo prontamente pede-se emprestado ao vizinho.
   
    O improviso é uma das maiores causas de acidentes tanto em casa quanto no ambiente de trabalho. O pior disso tudo é que o improviso muitas vezes é cruel e malicioso. Há pessoas que perdem a própria vida somente porque fizeram um pequeno improviso. Se não perde a vida tem alguma seqüela. Há trabalhadores que querem mostrar suas capacidades intelectuais para improvisar. A autoconfiança é um dos maiores indícios de acidentes do trabalho. São esses tipos de comportamentos inseguros que podem ocasionar o acidente. Evite improvisos. Se não há ferramentas adequadas, solicite-as ao seu superior hierárquico no local de trabalho. Mesmo que o chefe de departamento ou a pessoa a qual você está subordinado exigir que improvise a atividade, explique sobre os riscos. Muitas vezes o seu superior pode não saber das conseqüências que o improviso pode acarretar. Lógico que devemos saber como falar a respeito. Com educação e sem arrogância, podemos solicitar melhorias nas condições de trabalho. Se houver Cipeiros na empresa estes são os mais indicados para solucionar os problemas e evitar o improviso.
   
    Em casa, se acha que não vai precisar de ferramentas, procure analisar as atividades que possivelmente podem fazer no futuro próximo. Se você é uma pessoa que gosta de artes futuramente pode ter um quadro na sala. E que ferramenta usamos para pendurar o quadro na parede? O martelo, evidentemente. E se o cano da pia estiver com vazamentos? Usamos uma chave de boca. E se o móvel estiver com um parafuso folgado? Apertamos com uma chave de fenda. Viu que precisamos de ferramentas adequadas em casa? Ou prefere pedir ao vizinho todas as ferramentas quando precisar? Chato, não? Portanto. Usar as ferramentas adequadas e executar as atividades sem improvisos é a melhor maneira de evitar acidentes. No trabalho, o ato de não improvisar faz de nós um funcionário ideal e em casa podemos dar exemplos aos nossos filhos e vizinhos.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Acidentes de trabalho: O indivíduo e a família

Compartilho com vocês uma matéria interessante de um site português, que analisa o acidente de trabalho e seus impactos nas diversas dimensões da vida do trabalhador. As interferências ultrapassam as barreiras da empresa e causam grandes mudanças para todos os familiares do trabalhador, sobretudo durante a fase de recuperação ou fatalidade. Leia a matéria publicada em 27/09/11.

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Dimensão analítica: Mercado e Condições de Trabalho

Título do artigo: Dimensões esquecidas dos acidentes de trabalho: O indivíduo e a família
Autora: Sónia P. Gonçalves
Filiação institucional: Instituto Piaget, Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS/ISCTE-IUL)
E-mail: sgoncalves@almada.ipiaget.org / sonia.goncalves@iscte.pt


      Os acidentes de trabalho constituem um problema social, tal como está patente nas estatísticas nacionais e internacionais de sinistralidade laboral. Estes acontecimentos têm sido alvo de estudo, contudo, na base da procura das suas causas. A preocupação com as consequências é diminuta, a discussão centra-se nos custos financeiros associados, quer para as empresas, quer para as seguradoras. Quanto muito são tidas em consideração as consequências físicas oriundas do acidente, no sentido de serem contabilizadas em termos económicos.
      Contudo, o acidente de trabalho não tem apenas impactos físicos e custos financeiros. A saúde psicológica e as dinâmicas familiares sofrem igualmente com este acontecimento, embora, tendencialmente, com manifestações mais subtis e que poderão ser não observáveis no momento imediato do acidente.
      De facto, os acidentes de trabalho possuem algumas características que permitem pensar que os mesmos poderão levar ao desenvolvimento de perturbações da ansiedade e do humor, designadamente por serem acontecimentos percebidos como imprevisíveis que envolvem experiências de perda, e que podem implicar grandes mudanças de vida para um conjunto de pessoas (e.g., vítima, colegas e família) [1]. Estes eventos possuem, assim, as características de eventos potencialmente danosos e ameaçadores para o bem-estar psicológico e saúde mental. Estudos realizados em Portugal mostram percentagens preocupantes de sintomatologia psicológica, em vítimas e testemunhas de acidentes de trabalho. Os resultados destes estudos apontam para a existência de níveis preocupantes de prevalência de perturbação, não só em vítimas como em testemunhas de acidentes de trabalho. De facto, num estudo com polícias, 1 em cada 11 (9%) polícias vítimas de acidentes de trabalho está sinalizado com perturbação pós-stress traumático. No caso dos polícias testemunhas de acidentes ocorridos com os seus colegas, estes números são também preocupantes, sendo que aproximadamente 1 em cada 5 (20%) está sinalizado com perturbação pós-stress traumático [2]. Num estudo com vítimas de diversos acidentes de trabalho, cerca de 1 em cada 3 vítimas (31%) está sinalizado com PPST [3]. Efectivamente, se tivermos em consideração que a taxa de ocorrência da perturbação pós-stress traumático na população portuguesa em geral é de 7.87% [4], os valores encontrados são um claro indicador do risco.
      Os acidentes de trabalho poderão, ainda, desencadear uma série de outros acontecimentos, com efeitos relevantes e a longo prazo na vida do sinistrado e das pessoas que o rodeiam (e.g., despedimento ou incapacidade permanente), efeitos que requerem grandes exigências de adaptação, nem sempre acompanhadas por recursos e formas de apoio adequadas.
       As repercussões do acidente vão para além das fronteiras do trabalho. As consequências dos acidentes de trabalho podem manifestar-se por exemplo, em respostas psicológicas e comportamentais (e.g., stress, depressão, raiva, isolamento, agressividade, perda de auto-estima); podem ter efeitos sociais (e.g., diminuição comunicação interpessoal, deterioração das relações familiares e sociais, perturbações de sono e sexuais) e profissionais (reforma, mudança da auto-imagem profissional), podendo também reflectir-se em limitações físicas (e.g., dor, perde de mobilidade) que afectem as actividades diárias [5] [6]. Uma outra consequência importante é a surgida nos papéis desempenhados no seio da família. Por exemplo, a pessoa que é o principal sustento da família ou seu cuidador, passa a estar dependente provocando assim um possível distanciamento emocional [7]. Estes efeitos podem conduzir a uma adaptação desajustada da família, aumentando o risco de problemas de saúde mental, não apenas no acidentado como em outros membros da família.
     A organização desempenha um papel fundamental na forma como o sinistrado e a família gerem o acidente de trabalho e se adaptam, ou não, ao mesmo. Um aspecto importante, e que tem sido severamente negligenciado, é a notificação da família da ocorrência do acidente. Num estudo realizado em Portugal com quatro casais [6], este aspecto foi um dos factores potenciadores das consequências negativas do acidente. As famílias não foram informadas convenientemente, não houve por parte das entidades patronais uma preocupação com a situação das famílias a longo prazo, tendo havido, quanto muito, um apoio a curtíssimo prazo mas não foi feita de forma conveniente uma gestão do retorno ao trabalho.
      É sabido que nem todas as pessoas reagem da mesma forma pois um mesmo acidente pode ser analisado de forma diferente pelos diversos intervenientes. Para além disso, o acidente pode ter consequências não imediatas, mas sim a longo prazo, decorrentes do próprio processo associado ao acidente, à recuperação e à reintegração no trabalho, se for esse o caso.
     As nossas empresas e os técnicos não estão sensibilizados para estas questões, pois existe a preocupação com a ferida física mas ocorre o esquecimento da ferida psicológica, emocional e relacional. Os nossos planos de emergência não contemplam esta dimensão psicossocial, quer a curto, médio ou longo prazo.
     Apresenta-se como urgente o investimento na investigação, na educação e na formação técnica nos cursos de SHST, bem como a implementação de planos de intervenção que contemplem esta dimensão.

Notas
[1] Lauritsen, J., Rasmussen, K., Hansen, O., & Carstensen, O. (2004). Post-traumatic stress disorder after occupational accidents. Manuscripto não publicado, Institute of Community Health, Odense Universitet.
[2] Gonçalves, S. (2007). Perturbações psicológicas associadas aos acidentes de trabalho: O papel moderador do coping social e da coesão grupal. Tese de Mestrado, ISCTE, Lisboa.
[3] Gonçalves, S., Marques Pinto, A., & Lima, M.L. (2007). Os acidentes de trabalho na perspectiva do trauma: Dois estudos, uma realidade. In C. Guedes Soares, A. P. Teixeira, & P. Antão (Eds.). Riscos Públicos e Industriais (Vol.2, pp. 1137-1152). Lisboa: Edições Salamandra.
[4] Albuquerque, A., Soares, C., Jesus, P., & Alves, C. (2003). Perturbação pós-traumática do stress (PTSD): Avaliação da taxa de ocorrência na população adulta portuguesa. Acta Médica, 16, 309-320.
[5] Dembe, A. (2001). The social consequences of occupational injuries and illnesses. American Journal of Industrial Medicine, 40, 403-417.
[6] Gonçalves, S., Ribeiro, M. T. & Sales, C. (2009). Consequências dos acidentes de trabalho no casal e na família: Quatro estudos de caso. In C. Guedes Soares, C. Jacinto, A.P. Teixeira & P. Antão (Eds.). Riscos Industriais e Emergentes (pp.1095-1110). Lisboa: Edições Salamandra.
[7] Pereira, M. (2003). Impacte e avaliação do stress traumático na família: Perturbação secundária de stress traumático. In M. Pereira & J. Ferreira (Coords.). Stress traumático: Aspectos teóricos e intervenção. Lisboa: Climepsi Editores (pp.91-107).

Fonte:http://barometro.com.pt/archives/445